segunda-feira, agosto 27, 2007

castro alves

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A DUAS FLORES


São duas flores unidas,


São duas rosas nascidas


Talvez no mesmo arrebol,


Vivendo no mesmo galho,


Da mesma gota de orvalho,


Do mesmo raio de sol.


Unidas, bem como as penas


Das duas asas pequenas


De um passarinho do céu...


Como um casal de rolinhas,


Como a tribo de andorinhas


Da tarde no frouxo véu.


Unidas, bem como os prantos,


Que em parelha descem tantos


Das profundezas do olhar...


Como o suspiro e o desgosto,


Como as covinhas do rosto,


Como as estrelas do mar.


Unidas... Ai quem pudera


Numa eterna primavera


Viver, qual vive esta flor.


Juntar as rosas da vida


Na rama verde e florida,


Na verde rama do amor!


Curralinho, Março de 1870





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